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ESTUDO DE CASO

CASO 5 – Se eu agradá-la cada vez mais, terei o afeto que tanto preciso:

Muitos homens que amam demais tomam uma postura submissa em relação à mulher, na esperança de fazê-la mudar de comportamento e retribuir um falso amor que eles tentam “criar” nelas. Com isso, a necessidade do agrado é algo constante, e geralmente eles buscam o tipo de mulher dominadora. Desta forma, podem ter o outro lado da doença, fazendo o jogo tornar-se ativo e familiar.

Percebam como no amor patológico se cria um vínculo de jogo quando duas pessoas estão dispostas a terem suas vidas modificadas na falsa ilusão do que o outro representa. Os jogos são estabelecidos quando ambos são pessoas problemáticas, e num círculo vicioso criam um vínculo simbiótico perigoso e incontrolável.

Vamos citar o exemplo de um jogo doentio que nos foi contado por W. B.

Ele tinha apenas 29 anos e já era um médico bem conceituado na área de cardiologia. Conheceu a enfermeira Bete ainda na residência e logo de cara foram morar juntos. Dinheiro não faltava para ele, mas afeto sim, e na intenção de suprir tanta carência, jogava-se no trabalho de forma desenfreada e também no amor de Bete, criando dois vínculos e dois vícios: o do trabalho excessivo e do amor patológico.

Importante ressaltar que apesar de muitos homens se desligarem do trabalho em função das mulheres, outros o têm como vício e tornam-se workaholics no intuito de liberar a adrenalina de que precisam. Um vício leva ao outro, e a pessoa com comportamento compulsivo pode facilmente se render a vários tipos de vícios, como o comer demais, beber, usar drogas, trabalho, sexo promíscuo, jogos, etc. Não é difícil encontrarmos também pessoas com vários vícios ao mesmo tempo, identificando mais uma vez o padrão de compulsão.

W. B. e Bete não se viam muito devido ao excesso de trabalho de ambos, mas nas poucas horas juntos ele sentia necessidade de presenteá-la como forma de desculpar-se pela ausência.

W. B. também não era dos mais fiéis. Encontrava-se com algumas enfermeiras em horas vagas para sexo casual, o que lhe causava mais culpa em relação à mulher, mas incapaz de livrar-se desse comportamento e desesperado por uma possível descoberta da amada, ele via na submissão uma forma de recompensa.

No começo tudo parecia calmo, mas Bete foi se tornando cada vez mais possessiva e dominadora, característica que certamente W. B. percebeu logo que a escolheu justamente para criar o jogo perigoso que começava a se desencadear.

Ele chegava em casa já tarde e várias vezes não a encontrava ali, que passava noites fora e voltava sempre com a desculpa de que estava na casa de amigas. Inconformado e raivoso, ele via no gesto da esposa um castigo e, como não existia diálogo entre eles, os presentes serviam cada vez mais como forma de controle e submissão.

No início eram flores, depois jóias e, com o passar do tempo, um apartamento no nome dela e um carro importado.

Bete resolveu parar de trabalhar e aceitou ser sustentada pelo marido, nunca questionando os atrasos e as possíveis traições. Percebam como esse relacionamento era baseado em falta de diálogo e respeito. Notando a frieza da esposa, ele já não sabia mais como presenteá-la, e ela pedia cada vez mais.

W. B. começou então a frequentar os bingos e trocou o vício do trabalho e até do sexo desenfreado pelo jogo. Ficava horas no bingo, ganhando e perdendo, empolgado e entusiasmado com as possibilidades de ganho dos jogos, que eram infinitamente mais altas do que o trabalho dele poderia dar.

Muitas vezes saía do jogo e corria para o shopping mais próximo para encher sacolas com jóias, roupas e desejos de Bete, e quando chegava em casa era recompensado com um sorriso parecendo caloroso, mas na verdade frio, e uma noite de amor com a mulher que desconhecia e tanto queria agradar.

“Quem era Bete?”, pensou ele um dia. E por que ele fazia de tudo para agradá-la? Quem era ele? Foi mais fundo. E por que estava jogando fora sua carreira por tardes em jogos?

Resolveu romper com o vício dos jogos, mas vejam que ele retornou ao trabalho de forma desenfreada; 14 horas por dia eram pouco. Um consultório e três plantões em diferentes hospitais, tudo parecia pouco, e ele estava sedento por Bete, dinheiro, trabalho e sexo. Começou a se envolver com todas as mulheres possíveis, desde médicas, enfermeiras e até pacientes. Consciente da beleza, charme e carisma que provocava as mulheres, ele não parava de conquistá-las, desenfreadamente e sem qualquer cuidado que um médico inteligente poderia ter.

Quanto mais Bete se mostrava fria a qualquer comportamento dele, mais era presenteada com agrados e bens materiais, e assim o relacionamento prosseguiu por anos.

Mas, numa consulta de rotina, W. B., sentindo-se estressado e cansado, acabou descobrindo a que sua fúria o havia levado e constatou que era HIV positivo. Quando pensou nas inúmeras mulheres com quem havia tido relações sexuais sem camisinha, apesar de saber mais que ninguém os perigos da inconsequência, ele não se reconheceu e pela primeira vez aceitou sua doença, tanto a insuficiência imunológica quanto a insuficiência emocional perante tudo na sua vida.

W. B. está bem, e me conta que felizmente Bete não contraiu o vírus. A separação foi rápida. Assim que ele contou o resultado do diagnóstico, ela pegou as malas e se mandou. Hoje ele é um homem que trata seus vícios por amor, trabalho, sexo e jogos. Está consciente de suas compulsões e comportamentos perigosos e já sabe e conhece os seus limites.

Desmembrando a vida de W. B.:

A vida de W. B. quando pequeno era uma perfeita réplica da sua vida quando adulto. Filho de pais ricos e ausentes, a recompensa por ausência e a forma de demonstrar carinho era através de presentes. Quando ele precisava resolver algum problema ou conversar sobre uma briga na escola, apenas existia o silêncio em sua casa, e os presentes calavam e mascaravam, uma forma de afeto que se tornou conhecida e familiar.

Amar significa presentear, doar-se significa presentear e a conversa não é necessária. Essas informações ficaram em W. B. como corretas e familiares e ele as repetiu mais tarde. Na necessidade de preencher o seu vazio, ele lotava suas mulheres de presentes para tentar receber uma recompensa afetiva que nunca tivera!

Comportamento de W. B.:

– Compulsão e vícios;

– Repetição e obsessão;

– Baixa autoestima tentando recompensas para suprir-se.

deus14

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Uma resposta to “ESTUDO DE CASO”

  1. Olá

    Você considera que é ou foi um homem/mulher que amou demais?

    Trabalho em programa diario sobre saúde.

    Estou em busca de alguém que assuma que tenha sofrido por amar demais e queira dividir sua história conosco.

    Caso não queira aparecer, não há problema nenhum.

    Para mais informações, entre em contato comigo; thais_morresi@hotmail.com ou produtorathais@hotmail.com

    Desde já, grata.

    Atenciosamente Thais Morresi

    Aguardo o seu contato

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